Auto-Estima: 9 Passos Para Construir Uma Sólida

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Nos últimos anos, a palavra “auto-estima”, assim como diversas outras palavras da psicologia – por exemplo, “histeria”, “depressão”, “estresse” – entrou em moda. Fala-se muito em auto-estima, e da sua importância para as pessoas, mas nem sempre é tão fácil construir uma auto-estima sólida.

Para o psiquiatra espanhol Enrique Rojas, a auto-estima é o juízo positivo que a pessoa faz de si mesma. É uma segurança que se sente perante si e os demais.

Rojas defende que a auto-estima é tão importante, que o seu reforço entra como uma poderosa ferramenta para o tratamento de qualquer desajuste psicológico. E vai além: a auto-estima é o final da travessia de uma personalidade bem estruturada.

Mas se é mais fácil falar em auto-estima do que a reforçar em nós mesmos, o que podemos fazer?

Enrique Rojas nos indica 9 passos para refletir e que nos ajudam a alcançar a nossa estima. São estes:

  1. Afirmação mental positiva: O juízo pessoal resulta de uma análise do positivo com o negativo, do que já se conseguiu com o que ainda precisa conseguir. Dessas ponderações, deve-se alcançar uma afirmação mental positiva, que se satisfaz mais com o que já conseguiu na vida do que com o que já perdeu ou deixou de conseguir.

  2. Para estar bem com alguém, antes é preciso estar bem consigo. A pessoa deve se aceitar apesar das limitações, dos erros e das expectativas frustradas. Deve reconhecer que tem limitações, mas também tem suas aptidões, o que a torna única. Esse reconhecimento – e aceitação – traz tranquilidade e paz de espírito e nos ajuda a conviver com os demais.

  3. Harmonizar físico e fisiológico. A vertente física, no esquema da personalidade, compreende desde a morfologia corporal (beleza externa, estatura etc) até as características fisiológicas (doenças físicas ou psicológicas, congênitas ou adquiridas). Há adultos que tiveram paralisia infantil e que são muito traumatizados e complexados por isso, mas também há adultos com o mesmo diagnóstico, sem o menor complexo de inferioridade. Isso nos dá o que pensar e nos faz ver que um problema físico ou psicológico, ou mesmo uma característica pessoal (estatura, peso, cor de pele etc), não é motivo para minar a auto-estima de ninguém.

  4. Patrimônio psicológico positivo. O “patrimônio psicológico” da pessoa compreende: a percepção sensorial, a memória, o pensamento, a inteligência, a consciência, a vontade, os instintos, a linguagem verbal e não verbal. Todos esses elementos podem ser muito bem trabalhados para que a pessoa consiga construir um estilo pessoal próprio, em que se sinta à vontade e bem instalada.

  5. Saber se relacionar é um dos maiores indicativos de uma boa auto-estima. O plano sociocultural é muito importante para as pessoas e deve ser desenvolvido de forma positiva, já que é nesse plano que se desenvolvem os recursos para a comunicação interpessoal e tudo o que dela se deriva. E não é preciso ser extrovertido para saber se relacionar. Até mesmo os tímidos podem compensar seus poucos recursos psicológicos, nesse campo, com uma mistura de audácia e vontade.

  6. O trabalho é um dos pilares sobre o qual se edifica a auto-estima. O importante é que a pessoa se identifique com aquilo que faz e o faça com profissionalismo, a fundo, conhecendo bem todas e cada uma das nuances da sua atividade. Não é por acaso que o trabalho é um dos 3 ingredientes para a felicidade: trabalho, amor e cultura. Com essas 3 ferramentas fortalecidas, qualquer ser humano pode aspirar ao máximo, ou seja, pode se encontrar e dar o melhor de si aos demais.

  7. Jamais comparar-se aos demais. Um erro frequente que costuma minar a auto-estima é a comparação com os demais. Quando uma pessoa faz isso, ela só observa a superfície do outro, somente o que pode ser observado de fora. E, ao mesmo tempo, quando se fixa demais no que o outro tem, vem, em seguida, a comparação e a evidência de suas próprias carências e a incapacidade de reparar no que você tem de bom. A palavra “inveja” vem do latim, invidere, que significa “olhar de soslaio”. A inveja é tristeza ante o bem alheio, ou, vendo a outra cara da mesma moeda, é a alegria diante do mal do outro. O mais sábio é transformar a inveja em emulação, que é a capacidade de imitar as coisas positivas que contemplamos nos demais.

  8. Olhar compreensivo. Para ter auto-confiança, é importante ter um olhar compreensivo, indulgente e tolerante para si mesmo e para os demais. Isso engloba uma certa forma de amor, de ida e volta, própria e alheia, pessoal e coletiva. Compreender é aliviar, desculpar, ser benevolente, colocar-se no lugar dos outros e, também, ter clemência para com os erros e as falhas pessoais. Um sinal de maturidade é a capacidade de saber se perdoar e fazer o mesmo com os que nos rodeiam.

  9. Fazer algo positivo pelos demais. Uma das coisas que mais aumentam a auto-estima é fazer algo positivo pelos demais. Algo que seja tangível, objetivo, que não fique nas meras palavras e nas boas intenções. Algo que passe da teoria para a prática. E por que é necessária uma certa entrega aos demais? Porque é nessa doação onde se encontra uma boa dose de paz e alegria. Se temos uma personalidade equilibrada, somos mais felizes dando que recebendo, e isso vai nos conduzindo a uma certa harmonia interior.

(Se você quiser se aprofundar no tema, aconselho a leitura do livro do Dr. Enrique Rojas, chamado Tu, quem és? – Da personalidade à auto-estima, onde ele aprofunda o tema.)

Com carinho e gratidão,

Rebeca