A Terapeuta

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– O que acha que eu devo fazer? (…) Não quero voltar a ser funcionária pública. Mas eu não deveria procurar uma ocupação?

(…)

– O que você realmente gosta de fazer?

– Comer.

Esse diálogo transcrito veio de uma conversa entre Julia Child e o marido, no filme Julie & Julia, que conta com as atrizes Amy Adams e Meryl Streep.

Quando (re)vi esse filme, essas falas da personagem, representada pela Meryl Streep, me tocaram bastante. Não por ter a comida como passatempo favorito. Gosto de comer, mas estou longe de ser como a Julia Child rsrs. Mas senti afinidade por querer ter uma ocupação com o que realmente gosto de fazer – e que, no meu caso, também descobri que não era ser funcionária pública.

Uma mudança não ocorre de uma hora para outra: vai se alimentando e se fortalecendo da nossa angústia com o momento presente. Foi justamente quando estava, há dois anos, estudando para concursos públicos, que fui me descobrindo. Eu sabia o que não queria, mas não sabia o que queria. Sabia quais eram os órgãos onde não gostaria de trabalhar, mas não encontrava nenhum onde eu sentisse: “é neste que quero trabalhar pelos próximos 30 anos, todos os dias da minha vida”.

Isso começou a me angustiar. Nenhuma promessa de estabilidade no emprego estava me deixando tranquila. Pelo contrário: comecei a ter insônia e falta de ar, fruto da ansiedade que estava sentindo.

Então, certas coisas começaram a me chamar a atenção. Três frases, em especial, ficaram me “martelando”: Seja criativo na hora de inventar o seu trabalho; Olhe para a solução, não para o problema; e A ansiedade significa que você está no caminho errado. Não lembro exatamente quais foram as pessoas que disseram isso. Mas toda hora eu pensava nessas três lições.

Daí, me lembrei de que os indivíduos que eu sempre admirei são aqueles que tiveram a coragem de fazer o que amavam, de seguir o seu Chamado (fosse este mais visível ou mais discreto, com mais ou menos retorno financeiro).

Quando parei para refletir sobre isso, foi impressionante o número de pessoas, textos, filmes e cursos que apareceram na minha vida e fomentaram ainda mais essa minha vontade de seguir outros rumos.

Foi quando, também, um dos meus irmãos chegou para mim e me perguntou:

Rebeca, o que você realmente gosta de fazer? (como a pergunta que o marido de Julia Child fez para ela.)

Larguei meus estudos na hora e parei para conversar com ele. Nesse momento, com a ajuda e o incentivo desse irmão, resolvi ter coragem para mudar de vida. “Adeus, concursos! Respeito esse caminho, mas preciso respeitar, também, o caminho que foi feito para mim.”

Com esse “movimento da alma”, como o Bert Hellinger, “pai” das Constelações Familiares, gosta de falar, surgiu a ideia para este blog. Ele é um reflexo da mudança pela qual estou passando e do caminho que sinto gosto em trilhar.

Ainda estou no começo dessa nova caminhada, mas a certeza de que o meu caminho é por aqui já me fez voltar a dormir e a respirar melhor. Claro que estou tendo as dificuldades que surgem quando começamos algo novo, mas a certeza de que o caminho é este me dá novo ânimo. [Atualização: Este texto foi escrito em maio de 2015. Hoje muita coisa mudou. Não estou mais no início da caminhada, mas JÁ ESTOU NESSE CAMINHO QUE ESCOLHI. Assumi totalmente o meu lado terapeuta. Trabalho com Florais, Reiki, Theta Healing e Constelações Familiares e sinto um prazer enorme em poder ajudar pessoas que também passam por momentos de angústia e indecisão na vida. Continuo aprendendo muita coisa boa, a cada dia que passa, e adoro compartilhar tudo isso com quem se aproxima de mim. O que posso te dizer é: tenha coragem! Isso é o mais importante.]

Um outro livrinho que me apareceu bem neste momento de mudanças interna e externa e que me encheu de esperanças e coragem foi o A CIRANDA DAS MULHERES SÁBIAS, da Clarissa Pinkola Estés. Uma de suas reflexões ficou ressoando na minha alma. Dizia:

Quando uma pessoa vive de verdade, todos os outros também vivem. (…) se alguém se determinar a superar tudo para viver plenamente a partir daí, outros também o farão, e esses outros incluem filhos, companheiros, amigos, colegas de trabalho, desconhecidos, animais e flores.

Isso me deu a certeza da responsabilidade que temos em viver de verdade, de forma plena, algo que só conseguimos quando somos fiéis a nós mesmos, aos nossos verdadeiros potenciais.

Portanto, seja bem-vinda a este blog, que faz parte de quem sou e da minha nova caminhada. Sei que o chamado é individual, mas a caminhada não precisa ser solitária. Todos podemos nos ajudar e nos incentivar, então, vou adorar compartilhar tudo de bom que estou aprendendo, para que outras pessoas também possam ter a coragem de encontrar aquilo que aquece o coração e traz brilho para os olhos.

Com carinho e gratidão,

Rebeca

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