Atire a primeira pedra

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Atire a primeira pedra quem nunca julgou o outro!

acusar

Como é difícil não julgar! Fazemos isso o tempo todo. E mesmo quando nos comprometemos a não o fazer, um ou outro julgamento nos escapa da mente. Acho que é como começar a meditar: você se concentra na respiração, se livra dos pensamentos, mas, quando se dá conta, já está pensando no que tem que fazer durante o dia, no barulho que o vizinho está fazendo etc. Daí você se lembra que está meditando e tenta focar na respiração novamente. E por aí vai…

Mas se vamos melhorando na concentração à medida que meditamos, creio que também vamos melhorando no ato de não julgar, à medida que decidimos não mais ter o dedo acusador, apontando para todo mundo. Assim como acontece com a meditação, com o tempo, vamos ficando mais “fortes” nesse intuito e, consequentemente, o ato acaba fluindo mais.

Não é à toa que uma das parábolas mais marcantes da Bíblia é aquela em que Jesus, diante dos escribas e fariseus que queriam apedrejar a mulher adúltera, diz:

“Aquele que dentre vós está sem pecado, seja o primeiro que atire pedra contra ela (João 8)

E, então, um a um dos acusadores ouve sua própria consciência e se afasta, deixando Jesus e a mulher a sós. É quando ouvimos a sabedoria do Mestre:

“Nem eu te condeno. Vai-te, e não peques mais.”

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Baita lição….

LAMA PADMA SAMTEN

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Meu noivo e eu somos fãs do Lama Padma Samten! Em uma de suas sempre lúcidas palestras, ele falou algo que me fez refletir bastante: “não devemos julgar o outro porque cada um constrói a sua própria realidade.”

Sabe quando uma frase faz todo o sentido para você no momento e lança uma luz sobre vários aspectos da sua vida?

Pois isso que o Lama falou foi assim. Sempre que ouço alguém falando mal de outra pessoa ou eu mesma me flagro pensando mal de outra (também faço o meu mea culpa), me vem esta frase : “cada um constrói sua própria realidade”.

Porque, se você parar um pouco e observar, é isto mesmo: cada um está construindo sua própria realidade. Quem sou eu pra dizer que o que Fulano faz ou deixa de fazer é certo ou errado? Ele é que vai ter, como consequência, as dores e as delícias por cada ato cometido.

E quando trago essa reflexão para mim, me pergunto: Que realidade estou construindo para mim? Que realidade terei sendo uma pessoa que perde tempo falando mal dos outros, apontando um dedo acusador para cada Fulano ou Beltrano? Não é melhor cuidar do meu próprio jardim, como dizem por aí?

Deixemos cada um construir sua própria realidade. Vamos procurar melhorar a nossa.

APRENDENDO COM AS CONSTELAÇÕES FAMILIARES

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Um dos maiores presentes que estou sempre recebendo (no gerúndio mesmo, pois é um contínuo) nos meus estudos e vivências de Constelações Familiares é ver que nunca sou capaz de adivinhar o que realmente se passa na vida da pessoa. LIÇÃO em letras garrafais!

Já presenciei Constelações em que a pessoa apresentou um problema que, aos meus olhos, à primeira vista, parecia ser tão pequeno, tão fácil de resolver, mas, quando a Constelação se desenrolou, ficou evidente que o problema não era tão simples quanto aparentava e que, muito provavelmente, eu, se estivesse na situação daquela pessoa, também me sentiria emaranhada.

As Constelações, com seu trabalho de reverência a cada pessoa e a cada sistema familiar, me chamam a atenção para o fato de que nos equivocamos quando julgamos. Tudo está, como diz o título do livro da pedagoga sistêmica Olinda Guedes: “além do aparente”.

A alma do outro é um mistério. E ponto final. Ninguém sabe o que REALMENTE se passa em seu ser.

Com as Constelações Familiares também aprendi um exercício: diante de cada pessoa que passar pela minha vida, dizer mentalmente: “Eu reverencio você, com suas alegrias e seus sofrimentos.”

É uma questão de postura diante do outro. E faz uma diferença…

NÃO É SER INGÊNUO

Claro, não estou falando que devemos ser ingênuos e achar que todo mundo é bonzinho. O discernimento é importante.

Caso você se sinta mal ao lado de uma pessoa e não consiga transfigurar esse sentimento, meu conselho é que se afaste dela. Sua alma também sabe o que é melhor para você naquele momento.

Mas afaste-se: física…E MENTALMENTE! Não ficar pensando negativamente na pessoa é, também, uma forma de se afastar dela.

A questão, aqui, é: você não vai ganhar nada, nem vai ajudar em nada, cuidando da vida dos outros, julgando se estão agindo certo ou errado.

Se ninguém pediu sua opinião, e se sua opinião não fará nenhuma diferença, então, cale a boca! Silencie seus julgamentos, cuide dos seus pensamentos. Não os polua! Embelezar a sua mente é um dos maiores atos de amor que você pode fazer por você mesma!

FILME MELHOR É IMPOSSÍVEL

Pra mim, um dos melhores filmes de todos os tempos é o MELHOR É IMPOSSÍVEL, com o Jack Nicholson. Tem uma cena, em especial, de que gosto bastante:

Melvin, personagem do Jack Nicholson, pergunta para o Simon, personagem do Greg Kinnear:

– Sua vida não seria mais fácil se você não fosse…(gay)?

Ao que Simon questiona:

– Considera a sua vida fácil?

Jack Nicholson veste a carapuça (se você lembra, ele é todo complicado) e se dá por vencido:

– Ok, você venceu.

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É engraçada essa cena, mas também muito sábia.

Quando aponto para o outro e vejo o quão problemático ou imperfeito ele é, me esqueço de que também não sou perfeita e tenho muito o que melhorar.

Acho que esse desafio de não julgar o outro é um trabalho diário e que teremos que fazer pelo resto da vida. Mas é, por outro lado, um dos exercícios que, se conseguirmos melhorar, nos proporcionará um rápido avanço no nosso desenvolvimento espiritual.

Com carinho e gratidão,

Rebeca

P.s.: Os florais têm uma bela lição para nós. Todo lado negativo de uma pessoa está escondendo um lado positivo. Assim, cada floral ajuda a trazer o lado positivo à tona. Por isso, mesmo uma pessoa que julga demais pode ter um lado amoroso e compassivo dentro de si, querendo aflorar.

P.s.1: Recentemente, a terapeuta Daniele Tedesco compartilhou uma valiosa reflexão da Madre Tereza de Calcutá, que diz assim:

“Quer fazer algo para promover a paz mundial? Vá para casa e AME a sua família.”

Uma boa maneira de substituir as críticas que não acrescentam nada é se concentrar no amor aos  nossos queridos. Mudar de foco faz toda a diferença. 😉

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Maysa Marin escreveu: Adorei seu artigo. Perder tempo julgando e fofocando sobre as pessoas não é bom para ninguém. A pessoa que julga não conseguirá nenhuma mudança do outro, porque não fala com ele e dá conselhos, mas “alfineta” pelas costas. Com amor no coração e uma boa conversa, muitas coisas podem ser transformadas. Rebeca, continue nos brindando com seus artigos fantásticos e seus emails sobre assuntos importantes de nossas vidas!

Luz do Feminino escreveu: É isso aí, Maysa! Falou tudo! “Com amor no coração e uma boa conversa, muitas coisas podem ser transformadas.”
Obrigada pelo comentário.
Bjos,
Rebeca