Como A Morte Te Ensina A Viver – Ou: Você Já Fez O Seu Necrológio?

Tempo de leitura: 3 minutos

death and life_gustave klimt
Death and Life, de Gustave Klimt

(Significado de “necrológio”: elogio, falado ou escrito, de pessoa falecida.)

No início do Curso Online de Filosofia, o professor Olavo de Carvalho (que não tem nada de desbocado e polêmico nesse curso rsrs) pede aos alunos que façam um exercício de necrológio. O que é esse exercício?

Você imagina que acabou de morrer e uma grande amiga sua está escrevendo para uma outra amiga sobre como foi a sua vida. Então, você tem que imaginar o que gostaria que ela escrevesse sobre você. O que te deixaria orgulhosa por ter sido em vida e por ter vivido? O que teria sido a melhor versão de você mesma? O que te faria chegar ao final da vida e dizer: Sim, cumpri a minha missão. Estou em paz.

O professor Olavo nos lembra que o melhor de nós mesmas não tem, necessariamente, a ver com profissão, nem com reconhecimento público. Por exemplo, uma freirinha que vive enclausurada, rezando pelo mundo, pode ter sido o melhor dela mesma e ter vivido de forma plena – e feito um bem muito grande para a humanidade. Essa nossa melhor versão tem a ver com os nossos anseios, nossas realizações, nosso propósito de vida. É aquela mensagem única que cada um traz em si e precisa passá-la ao mundo.

O interessante é que algumas pessoas, quando vão fazer esse exercício, levam horas para conseguir escrever. Outras, conseguem fazer em alguns minutos. Há aquelas que irão reescrever várias vezes o seu necrológio, durante a vida, enquanto outras vão mantê-lo por anos, do jeito que está, tomando-o como um norte para a caminhada terrena.

O necrológio não precisa ser tão grande, mas também não tem regra quanto ao tamanho.

O importante é sempre o reler, pra ver como você está com relação ao seu Propósito de Alma.

E por que esse exercício é tão poderoso? Porque quando nos damos conta da presença da morte, nossa companheira desde o dia em que nascemos, passamos a valorizar a nossa vida. Temos, então, como diz John O’Donohue, uma maravilhosa premência de viver a vida ao máximo, de viver compassiva e criativamente e transfigurar tudo o que for negativo dentro de nós e ao nosso redor.

E, curiosamente, quando passamos a viver a nossa vida ao máximo, a morte deixa de parecer um acontecimento destruidor e negativo. E o medo já não tem mais poder sobre nós. Isso nos dá liberdade e uma consciência maior quanto ao tempo que temos aqui nessa vida: vamos querer viver sem desperdiçar esse tempo que nos é ofertado. Vamos viver de fato, e não apenas passar pela vida.

Por isso, te convido a fazer esse exercício de necrológio. Tire um momento do seu dia, tranque-se no seu quarto, fique em silêncio e imagine que uma grande amiga está escrevendo para outra amiga, contando como foi a sua vida. Faça “ela” escrever uma vida da qual você se orgulhe. Depois de escrever o necrológio, guarde ele. Não precisa mostrar para ninguém. Leia-o de tempos em tempos e sempre se pergunte:

Estou vivendo a vida que gostaria que fosse contada?

Com carinho e gratidão,

Rebeca

P.s.: Comentei com o meu irmão sobre esse tema, e ele me falou que o autor Stephen R. Covey, do livro Os 7 Hábitos das Pessoas muito Eficientes, também propõe um exercício tipo esse do necrológio. Você já leu esse livro?