Seu “Espaço Sagrado”

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Querida leitora,

este post foi motivado por uma visita.

Explico: moro num apartamento pequeno, com o meu marido. Não temos empregada e não temos tempo de ficar limpando toda hora. Temos uma faxineira que vem ajudar de vez em quando. Então, para manter a casa limpa, tomamos alguns cuidados diários, como: não deixar lixo caído no chão, não comer em cima de sofá (de cama, nem pensar! rsrs), tirar os calçados na entrada….Coisas assim.

Com relação aos calçados, porém, isso não é algo que exigimos de quem vem nos visitar. Não moramos no Japão, por exemplo, onde as pessoas já têm esse hábito de entrar em casa sem sapatos. Sabemos que, aqui, nem todo mundo se sentiria à vontade em tirar o sapato para entrar na nossa casa. Até aí, tudo bem.

Mas o que dizer de uma pessoa que vem na nossa casa e se deita no nosso sofá, encostando o tênis sujo na nossa almofada de cabeça?!?

Leitora, eu não sou maníaca por limpeza, mas isso me deixou tão indignada! Em 90% do tempo, sou calma, mas aquilo me tirou do sério! Imediatamente, pedi para a pessoa tirar os sapatos. Ela tirou e, talvez, não tenha se incomodado com esse meu pedido. Assunto encerrado.

Só que eu não parei de pensar no assunto...

É que, desde criança, sempre aprendi que a gente deve respeitar a casa dos outros, a gente não deve ser “espaçoso” demais…Afinal, a casa “do outro” tem suas próprias regras, e nós não podemos chegar impondo as nossas. Acho que, por sempre ter aprendido isso, acabo esperando essa postura dos demais…

Não estou dizendo, com isso, que seja ruim receber alguém em casa. De jeito nenhum! É muito bom receber visitas! O problema é que, naquele momento, me senti invadida! Não imaginei que fosse mexer tanto comigo. Mas, desse episódio, acabei aprendendo valiosas lições, que hoje compartilho com vocês.

ESPAÇO SAGRADO

Ao acordar no dia seguinte ao dia daquela visita, pedi orientação aos meus guias espirituais e, não por coincidência, todas as mensagens que recebi se referiam à importância de se preservar nosso “espaço sagrado”.
No livro AS CARTAS DO CAMINHO SAGRADO , de Jamie Sams,
cartas do caminho sagrado xamanismo
tirei esta carta:
espaço sagrado carta respeito
Logo no início da explicação dela, há estes versos:
“Grande Mistério, ensina-me a desenvolver
Os talentos que possuo
E a me comportar com respeito
Na casa dos outros.”
O capítulo sobre essa carta nos fala sobre a importância de se respeitar TODOS OS ESPAÇOS. A Terra toda é o lar de alguma forma de vida, então, nosso respeito inclui, não somente o lar das pessoas, mas também o nosso LAR maior nessa existência, com todos os tipos de vida que existem nele.
Bom, respeitar o espaço do outro e o planeta Terra, isso é algo que já sabemos que devemos fazer, né?!
Mas a carta traz uma outra lição, que, para mim, pelo menos, foi ainda mais importante: É PRECISO “DEFINIR AS NOSSAS FRONTEIRAS”. E traz um exemplo:
se recebemos um hóspede em casa e não lhe explicamos, desde o início, quais as regras que costumam reger o nosso lar, com toda certeza ficaremos zangados quando estas regras começarem a ser quebradas. Em geral, ficamos com raiva de nós mesmos porque não explicamos ao hóspede qual era o comportamento que esperávamos dele.
Sim, querida leitora, a carta que tirei ME falou exatamente isso…
É importante respeitar o espaço do outro, mas, antes, é ainda MAIS IMPORTANTE respeitar o nosso próprio espaço.
E veio mais recado da carta:
O Espaço Sagrado significa que você considera o seu corpo, os seus sentimentos e as suas posses como objetos sagrados, e que não permitirá que outras pessoas abusem e se aproveitem deles.
Não é à toa que, na parte debaixo da carta, aparece a palavra “RESPEITO”.
Depois de ter lido esse livro, peguei um outro livrinho que tenho na minha cabeceira (o ABRINDO PORTAS INTERIORES, de Eileen Caddy, de onde sempre compartilho alguma reflexão lá no Instagram) e, só para garantir que eu entendi bem o recado, eis a mensagem que me veio em uma página que abri aleatoriamente:
Eu vi um quebra-cabeça espalhado
sobre uma enorme mesa. Fiquei
observando as peças serem encaixadas
e vi como cada uma cabia
perfeitamente em seu devido lugar.
Eu ouvi as palavras:

Quando você está em seu devido
lugar, fazendo a sua tarefa específica,
não existe conflito, e Meu plano tem
condições de se realizar com perfeição.

Em resumo, as lições que recebi desse episódio foram:

– Respeitar o espaço do outro;
– Eu respeito o seu, mas você também respeita o meu (ou: “cada um no seu quadrado” rsrs);
– Demarcar claramente o meu território;
– Aprender a dizer NÃO!;
– E, com as palavras de Jamie Sams, “o importante não é que os outros gostem de você, mas sim que você se sinta capaz de conviver harmonicamente com você mesmo.”

Os ingleses, que, no geral, costumam ser muito respeitadores do espaço alheio, mostraram que também gostam de ter seu espaço bem respeitado quando criaram esta expressão: 

my home is my castle english expression

” Minha casa é o meu castelo” – acabo de eleger essa frase o meu novo mantra! rsrs 

Com carinho e gratidão,
Rebeca

P.s.: Apenas para acrescentar, pois achei muito importante: A carta “Espaço Sagrado” também nos lembra da importância de se respeitar o espaço das crianças, para que, desde pequenas, elas aprendam a criar um espaço próprio, onde elas irão se recolher. É nesse ato de se recolher que elas vão “desenvolver sua criatividade, imaginação, intuição e autoconfiança”, além de aprender a delimitar seus espaços. Assim, elas aprenderão que sempre haverá um “lugar sagrado” para encontrar suas próprias respostas.