Lição do filme ‘FEITIÇO DO TEMPO’

Tempo de leitura: 3 minutos

               Você já viu o filme FEITIÇO DO TEMPO? Ele é de 1993, e conta com os artistas Bill Murray e Andie McDowell.

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                Lembro de o ter assistido quando era criança, mas não lembro de ele ter me marcado como me marcou… ontem!

                A história é mais ou menos assim:

                   Tem um repórter, o Phill Connors (personagem do Bill Murray), que é um cara arrogante e despreza todos que estão ao seu redor. Anualmente, ele é escalado para cobrir um festival em uma cidadezinha do interior. Phill acha esse festival um tédio, mas vai pra “cumprir tabela”. Ele chega de má vontade à cidade, faz a reportagem de maneira meio automática e já pensa em voltar pra casa. Acontece que, na volta, uma nevasca interdita as estradas, e ele e sua equipe são obrigados a voltar para a tal cidadezinha e dormir por lá.

                No dia seguinte, toca o despertador, Phill acorda e já se prepara para retornar à sua cidade. No entanto….ele acaba se dando conta de que está vivendo, de novo, o dia anterior – o dia do festival.

                  Ele não acredita nisso, passa o dia, dorme e, ao acordar de manhã, tudo de novo…

                Imagine o desespero dele! Cada dia é, na verdade, o mesmo dia. E, cada dia, ele tenta fazer alguma coisa: um dia, ele liga o “dane-se” e infringe todas as regras que pode; no outro, ele sai dando “patada” em todo mundo; em outro, ainda, ele se aproveita das informações que pegou na vivência anterior daquele dia; em mais de um, ele tenta se matar de inúmeras maneiras… etc Só que ele começa a ficar agoniado com aquilo, pois ele não tem “amanhã”. E essa agonia só aumenta quando ele tenta conquistar a personagem da Andie MacDowell – é que, depois de tanto trabalho para a conquistar, em 24 horas, ao acordar de novo para aquele mesmo dia, ele precisa fazer tudo novamente…

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                 Sabe o que foi que eu adorei nesse filme? Além de ser uma comédia romântica leve, faz a gente pensar na bênção que é ter um “amanhã” e ter um “fim”. Pelo FEITIÇO DO TEMPO, a gente se dá conta de que o FIM nos livra do inferno da repetição interminável – já pensou passar pelo que o personagem do Bill Murray passou? Eu, sinceramente, se esse nosso dia se repetisse interminavelmente, não sei se saberia administrar…acho que ficaria louca! (nota mental: ia viver de floral Cherry Plum 😉 )

                    Por outro lado, ao nos darmos conta da finitude de cada dia – repito: AO NOS DARMOS CONTA -, nossa jornada diária ganha um novo aspecto.

                   Me lembrei do sábio John O’Donohue que foi quem primeiro me chamou a atenção para a poesia que existe em cada amanhecer. Ele diz, em seu livro ANAM CARA:

                 O amanhecer é um momento refrescante, um momento de possibilidade e promessa. Todos os elementos da natureza – pedras, campos, rios e animais – estão subitamente ali de novo, na fresca luz do amanhecer. Assim como a escuridão resulta em repouso e alívio, o amanhecer resulta em despertar e renovação.

               Sentir esse espírito de “promessas” que cada dia traz é uma grande bênção. E saber que ele irá terminar, depois de 24 horas, mais do que nos afligir, pode é nos convidar a fazer valer cada minuto e, dessa forma, nos permitir ficar em paz com o momento presente.

                  No filme, após várias repetições, o personagem finalmente aprende como viver um dia (por mais “simples” que ele seja), mas não vou cometer “spoiler”, contando mais detalhes, para respeitar quem ainda não o assistiu ou quem, como eu, não se lembrava dele. 😉

Com carinho e gratidão,

Rebeca

P.s.: Se quiser assistir ao trailer, é só clicar AQUI.