Um poder superior ajudou Eric Clapton?

Tempo de leitura: 4 minutos

Faz mais de um ano que comprei o livro FORÇA DE VONTADE – A redescoberta do poder humano, de Roy F. Baumeister e John Tierney, mas não consegui ler de jeito nenhum.

livro força de vontade
Sabe quando a leitura não “engata”? Começava a ler um capítulo e ficava logo entediada. Foi difícil. Sem contar que eu tenho minhas ressalvas com a palavra “força de vontade”. Acho que ela, por si só, não se sustenta. É preciso ver algum sentido no que se faz, estar em paz consigo mesmo, estar fazendo a coisa certa etc. Daí, acredito, a força de vontade vem naturalmente.

Bom, mas voltando ao livro, já estava conformada de que não conseguiria forçar a leitura, então resolvi me desfazer dele – afinal, eu não gostei, mas, de repente, alguém gosta, né?!. Fui dar uma última olhada nos capítulos, passando os olhos por cima, bem rapidamente, até que um título me chamou a atenção

capitulo livro
Opa? Eric Clapton? Gosto dele e sei que ele teve um passado trágico, com drogas e morte do filho. E sei, também, que ele superou tudo isso. Mas não sabia mais nenhum detalhe sobre esses fatos.

Foi aí que o livro me “pegou”. Ele conta, nesse capítulo, que o cantor passou por vários momentos suicidas. A riqueza, a fama e a música não o satisfaziam de jeito nenhum. Ele vivia num vazio de alma inconsolável, que tentava preencher com álcool, cocaína, heroína, mulheres.

Tentou se internar espontaneamente, algumas vezes, mas, quando saía da clínica de internação, tinha recaídas.

Numa dessas recaídas, ele entrou em um pub,

 “pediu a cerveja, e não demorou muito para que voltasse às bebedeiras e aos sentimentos suicidas.”

Então, novamente, Clapton retornou à clínica de reabilitação e, num momento de desespero, sozinho no quarto, “caiu de joelhos e implorou ajuda”.

rosario

Foi quando ele começou a compor HOLLY MOTHER, que, mais que uma música, é uma oração de súplica.

Veja o que diz a letra:

Mãe divina, onde estás?
Esta noite me sinto quebrado em dois
Eu vi estrelas cairem do céu
Mãe divina, não consigo não chorar

Oh eu preciso de sua ajuda desta vez
Me ajude a passar esta noite solitária
Me diga por favor para que lado ir
Para me encontrar de novo

Mãe divina, escute minha oração
De algum modo eu sei que você ainda está aí
Me mande, por favor, um pouco de paz de espírito
Leve embora esta dor

Não consigo, não consigo, não consigo mais esperar
Não consigo, não consigo, não consigo esperar por você

Mãe divina, escute meu pedido
Eu amaldiçoei seu nome umas mil vezes
Eu senti a raiva em minha alma
Tudo que preciso é uma mão para segurar

Oh eu sinto que o fim chegou
Não mais minhas pernas vão correr
Você sabe que eu preferiria estar
Em seus braços esta noite

Quando minhas mãos não mais tocarem
Minha voz pára, eu sumo
Mãe divina, então estarei
Deitado, salvo em seus braços

Eu achava essa música linda, mas nunca soube o que havia por trás dela. Fiquei muito comovida ao ler essa história no livro de Baumeister e Tierney.

Um pouco mais adiante, nesse mesmo capítulo, há uma citação de Eric Clapton, em que ele conta sobre seu desespero e o pedido de ajuda à Mãe:

nossa senhora

“Eu não tinha a menor ideia de com quem eu achava que estava falando, eu simplesmente sabia que tinha chegado ao meu limite. Eu não tinha mais forças para lutar. Foi então que me lembrei do que eu ouvira a respeito da entrega, algo que eu achava que nunca poderia fazer, o meu orgulho não o permitiria, mas eu sabia que sozinho eu não ia conseguir, de modo que pedi ajuda, e, de joelhos, eu me entreguei.”

Depois disso, o cantor nunca mais pensou em beber, nem mesmo quando o filho morreu, caído do 53º andar de um prédio.

Clapton disse que,

“desde então, ele tem rezado todos os dias, de manhã e à noite, pedindo ajuda de joelhos, porque sente a necessidade de ser humilde.”

E por que rezar de joelhos?, pergunta o autor do livro, colocando, em seguida, a resposta do próprio cantor:

– “Porque funciona”.

orar de joelhos

Pra mim, o livro Força de Vontade… acabou valendo a pena pela leitura deste capítulo, mostrando que a força vem quando nos entregamos a essa FORÇA MAIOR.