Você Faz o que Ama? – E Ama o que Faz?

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Um dia desses, assisti ao programa DESTINO CERTO, do canal Globosat. É um programa de meia hora, apresentado pela Mel Fronckowiak, que mostra os melhores destinos para quem for ao continente europeu. (Pra quem gosta de viajar – e de sonhar -, como eu, recomendo!)

O legal do DESTINO CERTO é que, cada episódio, tem uma temática. Por exemplo: os cinco melhores estádios de futebol; os cinco melhores passeios de trem etc.

Nesse sobre os passeios de trem, fiquei admirada com um senhor suíço, entrevistado pela Mel. Ele trabalha há 34 anos (sim, 34 anos!) no trem que faz um percurso maravilhoso na Suíça.

Quando a apresentadora perguntou pra ele se ainda não tinha se cansado de trabalhar ali, ele respondeu, cheio de convicção:

  – Claro que não!

Então, ela quis saber como era trabalhar naquele trem. E ele, novamente, sem pensar duas vezes, disse:

Olha essa paisagem. É como trabalhar em um filme, mas é a realidade!

suica_trem

Fiquei impressionada com esse senhor. Imagina trabalhar 34 anos no mesmo lugar, ver a mesma paisagem e ainda ter esse amor pelo que faz!

Claro que alguém pode comentar:

– Também, trabalhando na Suíça e vendo aquelas paisagens, até eu.

Ok, a gente dá um desconto. (rsrs) Mas fiquei pensando: Quem me dera chegar à idade dele e falar com alegria sobre o que faço, por mais (aparentemente) simples que seja a minha atividade.

Uma das coisas que me fez mudar de rumo profissional é que eu não me via como funcionária pública pelos próximos 30 anos da minha vida. Adoro estar em contato com gente diversa, (percebi que) adoro fazer o meu próprio horário (mesmo que eu tenha que trabalhar no final de semana e folgar no meio da semana, quando está todo mundo trabalhando), poder usar a criatividade (criar!), trabalhar em casa ou em lugares diferentes…

Não vejo problema em ser funcionário público, desde que a pessoa tenha perfil para isso.

O problema é que a gente vê tantas pessoas totalmente deslocadas, sofrendo por fazer o que não amam e empurrando os dias com a barriga porque não vêem sentido no que fazem.

Não quero, com este post, dizer que ninguém deveria ser funcionário público. (Eu apenas comecei a fazer parte daquele grupo de pessoas que incentivam outros tipos de trabalhos, para que os jovens não vejam o serviço público como única opção de trabalho na vida).

Mas não seria fantástico se víssemos mais pessoas como aquele senhor suíço? Não é contagiante ouvir alguém falar que ama o que faz?

John O’Donohue diz algo inspirador, em seu livro ANAM CARA, e que pode servir de norte para quando formos procurar (ou criar) nosso emprego:

Queremos estar vinculados a um grupo, a uma família e, especialmente, ao lugar em que trabalhamos, onde uma imensa criatividade poderia ser liberada. Imagine como seria agradável se pudéssemos ser nós mesmos no trabalho e expressar a nossa verdadeira natureza, dom e imaginação. Não há necessidade de separação entre a nossa casa, nossa vida particular e o nosso efetivo local de trabalho. Um poderia circular pelo outro de forma criativa e mutuamente enriquecederoa. Em vez disso, demasiadas pessoas estão vinculadas ao sistema, porque são obrigadas ou controladas por ele.”

E, um pouco mais à frente, O’Donohue acrescenta:

É muito importante manter um olhar cuidadoso para a espécie de trabalho que se faz. Devemos tentar verificar se o trabalho que realizamos e o nosso local de trabalho são efetivamente indicativos da nossa identidade, dignidade e dom. Se não for assim, talvez seja necessário fazer escolhas difíceis. Se vendermos a alma, obteremos uma vida de aflição.”

Pode parecer meio dramático o que ele diz nesse trecho, mas hoje, relendo esse livro (eu o li, pela primeira vez, em 2005), vi o preço alto que estava pagando por não dar ouvidos à minha Alma.

Acredito que encontrar sentido no que faz e levar o seu dom para o seu trabalho diário sejam as chaves para, depois de anos, dizer, como aquele suíço:

– Claro que não me cansei do meu trabalho!

Com carinho e gratidão,

Rebeca

P.s.: semana passada, fiz o meu mapa profissional no site Personare. Fazer o meu mapa profissional foi indicação da terapeuta Daniele Tedesco, quando conversei com ela sobre trabalhos e vocações, na semana passada, antes do hangout. Lendo o meu mapa, passei a entender por que sinto que esse novo rumo que tomei na vida faz eu me sentir mais alinhada comigo mesma. Se você também quer compreender melhor a sua vocação, recomendo fazer um mapa profissional. É mais uma ferramenta para o seu auto-conhecimento.

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Magda Fiegenbaum escreveu: Que lindo, amiga! Parabéns pelo post! Fico maravilhada em como tua alma se revela na tua escrita… tão leve, tão bonita! É gostoso de ler, e sempre vem acompanhado de uma bela reflexão, algo que mexe no nosso coração. Parabéns!
p.s.: gratidão tbm pelo “p.s.”, que me fez lembrar q em 2013 eu havia feito esse mesmo mapa profissional. Fui conferir e ele estava lá, ainda, parece que só me esperando. Como mudei nesse meio tempo! Hoje tudo o que está lá escrito faz muito sentido pra mim. O Matheus leu e quando viu que as coisas lá batiam mesmo com a realidade, também ficou empolgado pra fazer o dele. Obrigada, Re querida! Super beijo, com muito carinho e gratidão sempre!

Luz do Feminino escreveu: Oh, minha querida amiga! Muitíssimo obrigada, por suas palavras e por seu carinho de sempre!
Gratidão por ter pessoas como vc na minha vida.
Na sua companhia, me deslumbro um pouco mais com a vida! :-)

Bjos,
Rebeca