WILD OAT – Um floral para os nossos tempos – parte 1

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Em janeiro de 2015, fui a Porto Alegre para prestar a que seria minha última prova de concurso público. Era um concurso muito almejado, com salário bastante acima da média brasileira. O sonho de muita gente.

Porém, ao chegar no local da prova, olhei as pessoas ao redor – alguns estudando, alguns comentando sobre os assuntos que seriam cobrados, outros falando do salário e dos próximos concursos que haveria no ano – e um pensamento tomou conta de mim: “- O que é que eu estou fazendo aqui? Não tenho nada a ver com isso.”

Naquele momento, senti um desolamento. Imagina: há dois anos vinha me dedicando àquilo. Não descobria onde gostaria de trabalhar pelos próximos 30 anos da minha vida (quem assina a minha Newsletter conhece um pouco mais sobre essa história), mas não via, também, outro caminho. Passei a vida “sabendo” que aquele era o único caminho que existia para mim. Mas o que eu comecei a sentir, agora de forma muito mais forte e consciente, me deixou angustiada. O que vou fazer?

Na volta para Florianópolis, teria que tomar um “chá de aeroporto” em Porto Alegre. Meu voo só sairia de noite, e eu estava cansada – e desanimada – demais para passear pela cidade. O jeito era comprar algum livro na livraria do aeroporto, para esperar.

Nessas horas, normalmente escolho um livro de suspense. São os meus favoritos para passar o tempo. Costumo ir direto para os livros de bolso da Agatha Christie e do George Simenon. No entanto, naquele dia, meus olhos foram atraídos por uma biografia, o que é algo bem raro de acontecer. A biografia era sobre o Henry Cartier Bresson (ou: HCB), o homem que muitos consideram como o fotógrafo do século XX.

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Eu não sabia quase nada sobre o HCB. Já tinha visto uma fotografia tirada por ele e pela qual eu era apaixonada (ver abaixo), mas nada mais além disso. 

Rue Mouffetard Henri Cartier-Bresson fotografia fotógrafo
Rue Mouffetard (Paris, 1954), de Henri Cartier-Bresson

Também não sou uma aficionada pela fotografia. Gosto dela de forma leiga, ou seja, admiro, sem muito critério profissional; apenas como passatempo para registrar meus momentos especiais.

aeroporto espera avião

Então, não entendi muito bem por que fui atraída por aquele livro, mas comprei ele e fui ler num cantinho silencioso do aeroporto.

Assim que comecei a leitura, passei a entender o porquê daquele livro: lendo a história de Cartier-Bresson, fiquei extremamente tocada pelo fato de ele ter nascido em uma família de grandes comerciantes, tanto do lado materno quanto do lado paterno. O esperado era que ele também seguisse por esse caminho. Porém…calhou de ele odiar o ramo do comércio e amar a pintura.

Influenciado por um tio, ele cismou que queria ser pintor. Seus pais, meio contrariados, e depois de muita relutância, acabaram permitindo que ele seguisse pelo caminho artístico – mas sempre achando que ele iria “quebrar a cara” mais cedo ou mais tarde.

Bresson mudou-se para Paris, onde fervilhava a “Belle Époque”. Estudou pintura em uma ótima escola, com bons professores, conheceu diversos artistas e mecenas das artes.

"Lição de Arte" (1901), do desenhista Charles Dana Gibson
“Lição de Arte” (1901), do desenhista Charles Dana Gibson

Mas, em pouco tempo, sofreu um revés na sua decisão: ao mostrar os seus quadros para uma grande entendida das artes, esta lhe falou que ele não tinha nenhum talento para a pintura e recomendou que abandonasse esse caminho. – Baita banho de água fria, né?!

Decepcionado, ele ficou sem saber o que fazer. “E agora?”

Leitora, nesse momento, senti uma empatia muito grande pelo Bresson. Intimamente, eu gritei: “Eu sei o que você está sentindo! Também estou assim…sem rumo. O que vamos fazer agora?” Fiquei com dó dele, pois acho que estava sentindo dó de mim mesma…

Continuei a leitura e, então, li que, um tempo depois, ele ouviu falar de uma grande novidade no mundo: a fotografia. Aquilo despertou o interesse em Henri Cartier-Bresson. Ele ficou fascinado pelo fato de poder captar o momento. É como se fosse uma pintura instantânea! A pintura ficou um pouco de lado e ele começou a “brincar” com a fotografia – embora ninguém visse futuro naquilo.

máquina fotográfica antiga fotografia

Bom, o resto da história, você já deve imaginar: a fotografia conquistou o mundo, as máquinas foram se desenvolvendo, ser fotógrafo virou profissão e, para resumir a história de Henry Cartier-Bresson, ele se tornou um dos melhores fotógrafos de todos os tempos.

APLAUSOS EMOCIONADOS!!! :-)

aplausos palmas

E o que essa história tem a ver com o floral Wild Oat? Conto no próximo post. 😉

Com carinho e gratidão,

Rebeca