Yoga e Meditação para Crianças

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O post de hoje é uma entrevista com a Taisa Canabarro, que é esposa, mãe, psicopedagoga e facilitadora de yoga para crianças. Ela faz um trabalho lindo em Florianópolis: ensina yoga e meditação para crianças.

Quando descobri sua página no Facebook e vi que ela morava em Florianópolis, pensei: Esse é o tipo de trabalho que merece ser divulgado.

Foi então que trocamos mensagens pelo Face e, em seguida, nos conhecemos pessoalmente. Acredito que esse encontro seja mais um reflexo desse novo caminho que estou seguindo e que está me apresentando pessoas muito especiais, que buscam um sentido para vida e que acreditam no Bem.

Esta é a entrevista que fiz com a Taisa. A amorosidade que você vai encontrar nas respostas dela é a mesma que eu senti quando conversei com ela.

Então, saiba um pouco mais sobre esse trabalho que pode inspirar muitos pais e educares, bem como ajudar as crianças.

Rebeca: Taisa, conte-nos um pouco sobre você (o que você fez até chegar aonde está hoje e o que está fazendo no momento):

Taisa: Há vinte anos, com muito amor, trabalho com educação. Por muito tempo transitei entre a escola e a clínica psicopedagógica. Hoje, com uma caminhada de estudos e experiências, agreguei novas formas de ajudar as crianças e suas famílias a restabelecerem a harmonia consigo mesmas e com a aprendizagem em diferentes níveis. Refiro-me aqui à aprendizagem escolar e à aprendizagem da vida, que leva ao autoconhecimento e ao autodesenvolvimento através do Yoga e da meditação. Neste momento, atuo em clínica/estúdio como psicopedagoga e facilitadora de yoga e meditação para crianças. Atuo também com a implantação de meditação nas escolas.

R.: Por que e como você começou a aliar a psicopedagogia com a yoga e a meditação? 

T.: Certo dia, folheava uma revista com posturas de yoga, quando meu filho de dois anos (que, no meu ventre, já era um bebê yogue, pois eu praticava yoga na gestação) visualizou, pela primeira vez, tais imagens e, inesperadamente, começou a reproduzir as posturas que tinha visto. Em seguida, me puxou pelas mãos e, quando vimos, estávamos os dois praticando os ásanas. Foi tudo tão lindo, natural e verdadeiro que me emociono até hoje. A partir daí, meu filho manteve-se curioso em relação às posturas, e eu passei a pesquisar yoga e meditação para crianças e encontrei um mundo onde ele se identificou plenamente. Então, resolvi ir mais longe, voltei a praticar yoga e fiz cursos de yoga/meditação para crianças onde descobri imensos benefícios para a evolução de todos nós. Assim, decidi levar toda esta experiência e estes conhecimentos para outras crianças através da minha profissão como psicopedagoga. É possível desenvolver a atenção, a concentração, a memória, diminuir a ansiedade e aumentar o autocontrole através da meditação e do Yoga, e isso tudo se conecta com a aprendizagem através da psicopedagogia. Além, é claro, do trabalho de autoconhecimento e autodesenvolvimento que são primordiais.

R.: Os pais aceitam bem esse trabalho?

T.: Muitos pais estão mais cientes que se pode buscar caminhos de vida que não agridam o ser humano, caminhos naturais para educar seus filhos ou para tratá-los, no caso de algumas desordens. Então eles já buscam diretamente o que precisam, chegam até mim com este intuito. É importante frisar que o trabalho que desenvolvo é respaldado pela neurociência, livre de qualquer cunho religioso.

R.: E as crianças? Como elas reagem?

T.: As crianças e os jovens são uns fofos, amorosos e sinceros. Percebem que este trabalho é desenvolvido de forma lúdica, de acordo com cada faixa etária, por isso se envolvem de maneira tal que os resultados são perceptíveis em pouco tempo na maioria dos casos.

R.: A partir de qual idade a criança pode começar a meditar e a praticar yoga?

T.: Não há idade, desde que bem conduzida. Com crianças de até três anos, a prática é muito diferente, ela consiste em pequenos instantes dentro do contexto diário dos pequeninos. É muito gostosa quando é feita em família. Na Psicopedagogia e Yoga, há encontros periódicos específicos para a família. Eu particularmente aconselho a prática regular para crianças a partir de quatro anos, pois já saíram da fase dos bebês, tem uma maior compreensão e os resultados já são mais visíveis.

R.: Há alguma contra-indicação?

T.: Não há contra-indicação. No entanto, esta pergunta, muito importante, trará informações que talvez a maioria das pessoas desconheçam: Yoga é um conjunto de oito aspectos; as posturas são apenas um desses aspectos, portanto, pra criança que tiver alguma doença ou dificuldade física, haverá adaptação ou restrição somente durante as posturas. Nas demais atividades, ela poderá participar tranquilamente. Claro que, nessas situações, deve-se ter respaldo médico.

R.: Que mudanças a yoga e a meditação trazem para as crianças?

T.: Primeiramente, a calma. Começam a se perceber. Isto é autoconhecimento, é um passo lindo que se oportuniza ao ser humano desde tenra idade. Em seguida, começam as mudanças, descobrem que podem ter o controle de si mesmas e aí as atitudes passam a ser pensadas, este é o autodesenvolvimento. A impulsividade e a ansiedade diminuem. Concentram-se mais rapidamente, melhora a memória, a autoestima. Sentem bem-estar e passam a ter hábitos mais saudáveis.

R.: Em quanto tempo você começa a observar essas mudanças?

T.: De duas semanas a dois meses, depende muito da entrega e dedicação de cada um.

R.: Vi que você também trabalha na Casa São José, uma Organização Não Governamental de Florianópolis. Como começou o seu trabalho ali? E em que consiste?

T.: Recebi um e-mail da Casa São José para atuar como psicopedagoga. Então apresentei minha forma de trabalho e logo iniciei o atendimento psicopedagógico de crianças e jovens, no qual utilizo técnicas de meditação que auxiliam no desempenho escolar, tal como a neurociência vem comprovando.

R.: Pode contar alguns exemplos sobre as crianças que estão fazendo yoga e meditação?

T.: Um caso bem recente é o de uma menina de nove anos que torceu o pé na quadra de esportes da escola e precisou andar com o auxílio de muleta. Ela me disse: Fiquei com muita raiva, mas respirei fundo, daí as coisas boas iam entrando e quando eu soltava o ar as coisas ruins saiam. Isso não é fantástico?! Uma menina de apenas nove anos percebendo seus sentimentos e sabendo controlá-los de maneira sábia.

Outro caso foi de um menino de quatorze anos que, após fazer as respirações e acalmar a mente, relatou que podia começar as atividades escolares porque estava mais concentrado do que antes de chegar na sala.

E, para finalizar, uma situação clássica que nem todos gostam de confessar, mas eu faço questão porque todos estamos sempre aprendendo, inclusive com as crianças. Bem: eis que um dia eu estava com pressa procurando um documento importante e não o encontrava. Meu filho, de apenas três anos, percebeu que eu tinha começado a me agitar com a situação e o que ele fez? Tocou no meu braço e disse: Calma mamãe! Olha só: respira, ó, respira! E começou a respirar fundo para eu ver. Não é a coisa mais linda do mundo?!

Quem quiser conversar mais com a Taisa Canabarro, é só entrar em contato com ela: 

Facebook: psicopedagogiaeyoga

Site: www.psicopedagogiaeyoga.com.br

Com carinho e gratidão, 

Rebeca